Após o episódio dentes e sementes, voltamos ao vivo com mais um capítulo da série curiosidades específicas e aleatórias que povoam minha mente, e o tema de hoje é: por que o desenho do nove é o seis invertido?

Embora claramente inútil, não se trata de uma reflexão insensata. Considere que o fato do desenho de um ser o desenho do outro de cabeça pra baixo causa transtornos não negligenciáveis, em diversos domínios da vida.

Você faz um sorteio e tira na sorte o papelzinho onde se vê um seis. Ou um nove. Lá vai você ter que levantar a mão, chamar o realizador do sorteio, encontrar quem tirou sua imagem invertida, escrutinar quem é o seis e quem é o nove, recolher papelzinho, refazer o sorteio. Pense na quantidade de sorteios de papelzinho que existiram desde o século V da era Cristã, todos eles eivados deste vício de origem.

Um pouco mais recentemente, desenhadores de dados de RPG foram obrigados a colocar um tracinho sob o seis e sob o nove pra diferenciar os dois. Isso para citar apenas dois exemplos de problemas tão aleatórios quanto nossa pesquisa.

Vale ressaltar que, embora façam parte da extensa e deliciosa descendência do três, o seis e o nove vêm de linhagens totalmente diferentes: o seis vem da parte par, o nove do lado ímpar da família. A parecência se restringe ao desenho: seis não é o inverso do nove, matematicamente falando, em lugar nenhum do planeta.

Pois lá fui eu pesquisar nas profundezas do conhecimento acadêmico o porquê do desenho do nove ser um seis invertido.

A conclusão: sem motivo. Originalmente os desenhos eram muito diferentes. O seis parecia um Y do Walt Disney e o nove, uma interrogação mal-feita. Com o tempo, as pessoas foram adaptando os desenhos e ambos foram ficando parecidos.

Você acredita que tanto transtorno, além do incômodo de uma semelhança sem causalidade lógica que a justifique, não tem qualquer motivo? Assim é.

Ah, a mania que o serumano tem de generalizar, de estender sentidos, de buscar padrões – de fazer uma coisa meio que do jeito que já está mais acostumado a fazer. Você mistura seis e noves por preguiça mental e depois sai fazendo bolinhas e tracinhos e refazendo sorteios de papel por séculos e séculos e séculos. 

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