o objeto mais importante do palácio. objeto, porém o mais importante. e do palácio, hein?, o mais importante. porém objeto.

– espelho, espelho meu: existe alguém mais belo do que eu?

mais inteligente? mais cheio de ideias? mais viril? existe alguém mais justo? mais honrado? mais forte? mais criativo? mais sensível? mais especial? existe alguém?

– não, mestre, não existe. você é o mais belo.

estar em relação é às vezes estar objeto mesmo – é do jogo. mas quando me vi espelho, e espelho mágico ainda, daqueles que só fala uma frase, quebrei.

(o bom do espelho é que uma hora ele quebra.)

quebrei e disse: querido, você é a rainha dessa porra toda. tem poderes mágicos. vai fazer tua mágica. você é rainha, maga – e bruxa. desculpa dizer (e essa é minha última frase como espelho): tu é gato, mas é bruxa.

quero é diálogo, sujeito diante de sujeito, pra espelho não tenho talento. também nunca tive muito pra princesa, pra ser sincera.

me anima mais poder ser feliz, ranzinza, ser tristonha, ser a mestra, ser preguiçosa, poder fazer atchim quando meu corpo vacilar, poder ser boba à vontade – ser perfeitamente humana. e poder andar por aí afora pela floresta com a galera.

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