eu não queria escrever só “desenhar bastante” nas minhas metas de ano novo. ser específica aumenta as chances do universo ouvir a gente – e quando dei por mim, tinha criado categorias para explorar minhas questões de trabalho no desenho:

  • alma e mãos, inseparáveis, onde pesquiso meus temas
  • corpo: normalmente tenho preguiça, mas resolvi que em 2026 me dedico sim a pensar um pouco sobre como quero dar corpo ao sutil
  • pernas são os canais – como minhas ideias vão circular, que é algo que ocupa muito minha cabeça, já que desconfio do cubo branco e acho o mercado editorial lento pra quem tem ideias em rios.

vou começar pelo fim, as perninhas: tenho pensado muito em zines.

  • eles são autopublicados e baratos (gosto)
  • nascem como publicações efêmeras (acho ecológico)
  • pra quem quer se expressar de maneira livre e independente (eu)
  • e são muito frequentemente associados a manifestos, instrumentos de mobilização social, sindicatos e os punks (tento ser menos prescritiva, mas sei que sou uma criatura veemente de nascença)

quando parei pra pensar, me toquei que já tenho pelo menos cinco zines publicados, sendo que três deles formam uma série.

  • perplexa é, pra mim, um zine tão importante quanto meus livros. eu amo a solução gráfica dele, adoro como as dobras fazem parte da narrativa e sou muito satisfeita da página final, quando ele está todo aberto. terminei o perplexa perplexa, pronta pra seguir adiante.
  • voavoavoa é um zine também, ou uma obra colaborativa – falei dele no dia do ano novo, quando publiquei o pdf pra download. a gente não pode criar um ritual pra fazer os desejos de ano novo se realizarem e esperar que ele seja um produto pago, né?, eu pelo menos não.
  • as pessoas são incríveis é uma série de três zines realizada junto com a designer Sarah, que deu uma solução incrível pra transformar os posts com desenhos de observação que publico no insta em três publicaçõezinhas impressas em casa que funcionam super bem, arrancando algumas lágrimas de compradores nas feiras (fazer pessoas chorarem e rirem com desenhos é, sim, meu objetivo de vida).
  • não sei se o desenho brinquedo também se encaixaria como zine, talvez não. ele de certa forma é um manifesto sobre o desenho participativo, sobre o desenho que nunca acaba, mas é tão conceitualzinho da silva sauro que acho que ele tá mais pra uma obra mesmo, tanto é que já fez parte de duas exposições.

estou com um zine novo no forno. ele surgiu inicialmente como projeto de livro, mas por ter absolutamente todas as características de um zine, eu mudei o formato de publicação. ele se chama pra que serve o bebê? e eu trago aqui muito em breve.

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